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Leila Pinheiro

Leila Toscano Pinheiro é paraense, de Belém. Do seu nascimento, na primavera de 1960, ao primeiro disco, duas décadas. Tempo suficiente para que a linha da voz cerzisse irreversivelmente sua história no linho   da música.

A música, Leila descobre ainda menina. Aos 5 anos, suas primeiras inclinações musicais são registradas pelo pai Altino num gravador de rolo. Dos 10 aos 14 anos, Leila freqüenta as aulas do Instituto de Iniciação Musical, de sua tia Arlette. É nessa época que ela deixa de lado   a teoria musical do Insituto e passa a aprender com Guilherme Coutinho, músico de talento e presença importante no cenário musical de Belém.

Durante a adolescência de Leila, nos efervescentes anos 70, seu pai, Altino Pinheiro, inspirado tocador de gaita de boca, ouve LPs de Elizete Cardoso, Elis Regina, Os Cariocas, Nara Leão… apaixonado por música e  band leader caseiro, Seu Altino forma, ao lado dos quatro filhos, uma banda para canjas diárias no palquinho improvisado na sala de jantar. Leila toca piano e canta, o irmão mais velho de Leila, Alberto, fica com o violão, a irmã mais nova, Vera, com a bateria e a caçula, Marisa, com a percussão. No repertório, sucessos de Chico Buarque, Gonzaguinha, Joyce e Elis. Paralelamente, o inquieto cenário musical do país leva para Leila o som da Jovem Guarda e dos tropicalistas.

“A mão que eu movo”

Na virada da década de 70, a dobradinha de Guilherme Coutinho com o cantor paraense Walter Bandeira incentiva em Leila a vontade – nessa época, latente – de cantar. Hoje, os dois músicos estão numa espécie de marco zero da estrada musical da cantora – embora o comando dessa narrativa tenha sempre cabido à própria Leila. A dupla compôs especialmente para ela, Leila deu canjas na noite e ainda ganhou reforço no aprendizado de piano. É nesse momento que surge boa parte do repertório do show “Sinal de Partida”, o primeiro de Leila.

Em outubro de 1980, Leila faz sua estréia no Theatro da Paz, o mais importante de Belém, com o show “Sinal de Partida”. O mote é explícito. A glosa é cada passo dali em diante. Para Leila, a sístole-diástole da ilusão incurável de alma de artista, de perseguidora de sonhos, de mulher desdobrável. Em 1981, Leila finca o pé na estrada.  Ela deixa Belém, com um curso de medicina no meio do caminho e uma possibilidade de cantora na garganta.

Sal, sol, sul

O Rio da década de 80 não era o mesmo Rio da bossa nova, aquela enorme Ipanema, balneário do amor, do sorriso e da flor. É nesse Rio que a voz de Leila desembarca em maio de 1981.

Convidada por Jane Duboc, também cantora e paraense, Leila vai assistir às gravações de “SEDUÇÃO”, LP de Maria Creusa, quando conhece Raymundo Bittencourt, produtor daquele trabalho. O episódio resulta em “LEILA PINHEIRO”, disco de estréia de Leila, que começa a ser gravado dois meses depois desse encontro e é lançado de forma independente em 1982.  O disco de estréia anuncia o que vai passar na trajetória musical da cantora. Logo no primeiro capítulo, já aparecem convidados ilustres, como Tom Jobim – em “Espelhos das Águas” e Ivan Lins – em “Mãos de Afeto”.

“Sede de navegar”

Alguns shows na noite depois do lançamento de “LEILA PINHEIRO”, em 1985, a fita demo inscrita por Leila no Festival dos Festivais – o penúltimo grande festival de música realizado no país, promovido naquele ano pela TV Globo – cai nas mãos de Cesar Camargo Mariano, um dos responsáveis pela escolha dos artistas do evento. Ele convida Leila para defender o samba “Verde”, de Eduardo Gudin e José Carlos Costa Netto.

A canção é premiada com o terceiro lugar no pódium e Leila leva para casa o prêmio de cantora revelação do festival. “Verde” também a coloca na mira da PolyGram. Tiro certeiro. Convidada por Roberto Menescal, então diretor artístico da empresa, em meados de 1986, Leila lança seu primeiro disco por uma grande gravadora: “OLHO NU”, título pinçado do samba de Gilberto Gil. Desse trabalho, Leila resgata para o songbook “Verde” e “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, de Frejat e Cazuza. Lançado em 1988 com apresentação de Renato Russo, “ALMA” lapida vastas e profundas emoções. Dentre elas, “Besame”, de Flavio Venturini e Murilo Antunes, o segundo hit na voz de Leila. “Tempo Perdido”, ícone da geração 80 cantado pela Legião Urbana dois anos antes, ganha contorno romântico de íntima beleza, além de uma inestimável canção de Edu Lobo e Chico Buarque,  “Abandono”, composta para o Balé do Teatro Guaíra, de Curitiba.

“O barquinho vai…”

Em 1989, a bossa nova completava seu trigésimo aniversário, se contado a partir do lançamento do LP “CANÇÕES DO AMOR DEMAIS”, de Elisete Cardoso, em 1958 – espécie de certidão de nascimento do movimento, na opinião de muitos conhecedores da história musical. A Nippon Phonogram, filial japonesa da PolyGram, decide homenagear essa data com uma obra dedicada a essas canções. Roberto Menescal convida Leila para um mergulho nas canções da bossa. Em 1989, “BÊNÇÃO, BOSSA NOVA” apresenta uma panorâmica do movimento, acomodando a obra de seus criadores em dez luminosos medleys. Entre eles, um formado por “Lobo bobo / Se é tarde me perdoa / O Barquinho” e outro por “Nós e o mar / Mentiras / Preciso aprender a ser só”.

Paisagem da diversidade momentânea e um dos primeiros registros acústicos num momento em que os instrumentos andavam plugadíssimos, “OUTRAS CARAS”, lançado em 1991, é um ensaio democrático: traz de Walter Franco, com “Serra da Luar”, a Guinga – com Aldir Blanc, em “Esconjuro” e com Paulo Cesar Pinheiro, em “Noturna”.

“COISAS DO BRASIL”, de 1993, tem o toque de César Camargo Mariano nos teclados e arranjos de valiosos standards, como “Quem te viu, quem te vê”, de Chico Buarque, “Vai passar”, de Chico com Francis Hime e “Primavera”, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. A voz de Leila sublinha a beleza de “Coisas do Brasil”, pop bossanovista de Guilherme Arantes e Nelson Motta, e “Gostava tanto de você”, de Edson Trindade. O disco traz a segunda leitura de Leila do pop da Legião Urbana, desta vez com “Monte Castelo”, elegia que une a epístola aos Coríntios e a lírica de Luís de Camões à poesia de Renato Russo.

Em maio de 1994 Leila passa a integrar o cast da EMI Music. No mesmo ano é lançado “ISSO É BOSSA NOVA”, um novo e explícito mergulho no baú da bossa, desta vez com leitura totalmente acústica. O trabalho oferece biscoitos finos da bossa cantados com suas harmonias originais, como “Discussão”, de Tom e Newton Mendonça, “Sem mais adeus”, de Francis Hime e Vinícius e, dele com Carlinhos Lyra,  “Sabe você”.

“VER ADIANTE”

Navegadora atenta desde sempre, é no fluir das canções caudalosas que  Leila baldeia. É com o brilho dos olhos de quem escolheu os frutos mais bonitos do pomar que ela apresenta “CATAVENTO E GIRASSOL”. O disco, lançado em 1996, traz, além da polpa suculenta da parceria de Guinga e Aldir Blanc, sua primeira atuação como produtora executiva. Intimidade com o violão de Guinga Leila tem de sobra. O amor pela obra do compositor ela cultiva em fitas gravadas desde 1983, quando Pepê Castro Neves, seu professor de canto, levou o compositor para uma tarde musical na casa de Leila.

Sem brechas para as corredeiras oportunistas – e traiçoeiras – do mercado, as escolhas de Leila em CATAVENTO E GIRASSOL catapultam para um público jamais imaginado a rica tapeçaria musical  que a poesia de Aldir Blanc borda no violão de Guinga. Cercada de músicos como Lula Galvão, Jorge Helder, Paulo Bellinati, Paulo Sérgio Santos, Jurim Moreira, Claudio Roditi, do próprio Guinga e de vários outros craques, além dos arranjos de Jorge Calandrelli, Leila faz de cada canção, uma apologia ao renascimento da (excelente) música brasileira. A beleza irretocável da obra é evidente e facilmente detectável. Para constatar é só ouvir o samba-choro “Catavento e Girassol”,  as valsas “Exasperada”, e “Valsa para Leila”, esta recortada pela gaita (harmônica de boca) de Altino Pinheiro, pai da cantora. Ou então, se divertir com a ironia de “Coco do Coco” ou com o transe de “Baião de Lacan”.

Cantar, sorrir, seguir

A carreira de Leila é pródiga em dizer com clareza: não há água que ela não beba e não há o que ela não diga na ponta da língua. Em meados de 1997, ainda itinerando com o show “Catavento e Girassol”, Leila foi arrebanhando canções em pequenas audições improvisadas em quartos de hotéis com compositores e músicos das cidades por onde passava. Indiretamente surgem os primeiros tons do repertório que baseou Leila para gerar “NA PONTA DA LÍNGUA”. “NA PONTA DA LÍNGUA”, também produzido por Leila,  é praticamente um contraponto ao trabalho anterior, “CATAVENTO E GIRASSOL”, integralmente dedicado à arrebatadora parceria de Guinga e Aldir Blanc. Dois anos depois, em 1998, Leila bebe outras águas e garimpa entre compositores e poetas da sua geração o destino da sua voz para aquele momento. Aí está o quê de inesperado de “NA PONTA DA LÍNGUA”: reunir, num mesmo trabalho, um punhado de canções compostas por seus contemporâneos de década. Um dado novo à sua discografia, sempre talhada na madeira de lei dos talentos máximos da música brasileira, em sua maioria de gerações anteriores à sua. Quem a ouve hoje percebe que ela quer menos contemplação e mais participação. O essencial, que é o amor pela música, está no suingue dengoso de “Abril”, de Adriana Calcanhotto, na melancolia esperançosa da elegíaca “Vento no Litoral”, de Bonfá, Renato Russo e Dado e no casamento feliz da caneta de Alvin L com o violão de Sérgio Santos em “Pra dizer a verdade”. “Mais uma Boca”, da irrepreensível Fátima Guedes,  “Sentado à beira do caminho”, dos indefectíveis Roberto e Erasmo e a parceria inédita de Eduardo Gudin e Paulinho da Viola no samba  “Ainda Mais”, completam as escolhas de Leila.

A densidade musical de cada página deste volume diz o que Leila Pinheiro vem dizendo na ponta da língua desde sempre.

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