BUSCA
PROCURE O MELHOR PARA O SEU EVENTO
F I T
Daniela Mercury

O novo disco de Daniela Mercury, batizado de Canibália, pode ser definido com uma palavra: síntese. Pode parecer estranho para um trabalho que chega ao mercado com cinco capas e cinco diferentes sequências musicais. Surpreendente, também, considerando-se que trata-se de uma artista que se consagrou pela multiplicidade de talentos (cantora, dançarina, compositora e produtora) e estilos musicais (do axé ao samba reggae, da mpb à ousadia do casamento da música eletrônica com ritmos baianos).

A princípio, síntese também não combina com o conceito de antropofagia associado ao título do CD. É graças à capacidade de “autocanibalização” da artista que o disco resume. E resume bem.
Faz tempo que Daniela Mercury não cabe em uma única versão. Desde que explodiu para o Brasil na década de 90, a cantora não se satisfaz com a repetição de fórmulas de sucesso. Ousada, curiosa e criativa, ela mergulha de cabeça, sem prender a respiração, em diferentes caldos da música brasileira.
Neste disco, produzido por Daniela Mercury, Ramiro Musotto, Alfredo Moura, Mikael Mutti e Gabriel Povoas, marcado por uma base eletrônica que dá ritmo a praticamente todas as faixas, ela retoma as origens africanas com a poderosa “Oyá por nós”, dois toques de Candomblé para Yansã com Drum’bass , um canto em homenagem à Yansã, entidade do candomblé, composta e cantada em parceria com Margareth Menezes, com participação de Márcio Vitor. É uma música forte, com ritmo, letra interessante e pegada, que no começo, no meio ou no fim, dá identidade ao trabalho da cantora.
Mas antes dos negros havia os índios. Com a canção “Dona desse lugar” (Daniela Mercury / Marcelo Quintanilha / Paulo Daflin) ela homenageia os primeiros habitantes de Vera Cruz, a voz dos nossos avós, que no século XVI colocaram o alemão Hans Staden para experimentar pela primeira vez e na pele o conceito de “canibália”. A música, dançante, utiliza um sampler do fonograma “Wanãridobê”, tradicional canto do povo xavante para fazer a homenagem e a conexão concreta entre a arte do passado e do presente.
Daniela Mercury nasceu na Bahia, onde o Brasil começou, mas é neta de português com italiano. A pele branca e os modos europeus, não a impedem de se afirmar preta, pretíssima.

A música “Preta”, reúne uma sequência de três canções, unidas ou “canibalizadas” no sentido de afirmar e valorizar a negritude. “Eu Sou Preta” (J. Velloso e Mariene de Castro), “Sorriso Negro” (Adilson Barbado/ Jair Carvalho e Wallace Jefferson) e “Rap do Negão” (Seu Jorge/Gabriel Moura e Wallace Jeferson) compõem a tríade em exaltação à cor e à força da raça. Para gravar este número, Daniela convidou o cantor e compositor Seu Jorge, repetindo uma bem-sucedida parceria iniciada em 2008 no carnaval de Salvador.
O canto da artista, que já foi o de uma cidade, hoje aponta para o mundo.

O show que acompanha o disco Canibália já estreou em turnê mundial com absoluto sucesso em Portugal e na Argentina. Os ecos de lá pra cá e de cá pra lá, como canta no refrão do samba reggae “Sol do Sul”, composto em parceria com o filho, Gabriel Povoas, repercutem há muito tempo no trabalho da artista. Nesta canção, Daniela promete levar a luz e o azul latino que vem do sul para aqueles que estão ao norte. Dá para imaginar o impacto positivo que essa promessa dançante produz na platéia e audiência internacionais.
A promessa de experimentar, mastigar e deglutir percorre as quatorze faixas do CD, não importa qual das ordens o ouvinte escolha para comprar. Do afro ao romântico. Do pop a MPB. Do clássico ao inédito. Uma parceria única e incrível acontece na canção “O que é que a baiana tem”, de Dorival Caymmi, quando Daniela faz um dueto tecnológico com Carmen Miranda, ao utilizar um fonograma original de 1939, numa versão em twist com samba eletrônico.

Essa composição surpreendente só foi possível, vale dizer, porque a família de Carmem considera a cantora baiana uma legítima herdeira da pequena notável e autorizou que ela regravasse vários sucessos neste ano em que celebramos o centenário do seu nascimento.

Tanto que em uma das capas, a mais luminosa das cinco, Daniela a homenageia com um figurino repleto de balangandãs. As cinco capas foram criadas por Gringo Cardia, também responsável pelo cenário do show Canibália.
O disco Canibália é síntese, também, ao retomar o início de carreira da artista, quando ainda anônima cantava em barzinhos os hits da MPB. Prepare-se para ouvir e se emocionar com “O que será”, de Chico Buarque, megasucesso de 1976, em forma de samba reggae eletrônico com salsa, no final. Abra os ouvidos e os sentidos também para se surpreender com o rap “Trio em transe” (Daniela Mercury / Marivaldo dos Santos / Gabriel Povoas), no qual a cantora celebra o novo e o velho cinema brasileiro (de Terra em Transe a Amarelo Manga) e reverencia, novamente, Carmen Miranda.

Essa música, uma fusão de samba afro do Ilê Aiyê com hip hop e repente, sintetiza para a artista o manifesto de afetos que é o disco Canibália.
Perto de comemorar 20 anos de carreira, Daniela Mercury continua disposta a correr riscos e a desafiar compreensões da crítica e do público. Neste aspecto, mais uma vez, Canibália pode ser entendido como uma síntese de sua trajetória e carreira. O disco mostra como, desde a explosão com o “Canto da Cidade”, ela não se contenta em repetir fórmulas de sucesso. Na única receita que serve a ela, DM precisa sempre inovar. Os riscos podem ser imensos, não importa. Se acredita, Daniela ousa como quando em 2000 combinou, pela primeira vez, o ritmo eletrônico com o axé ou, como agora, quando mistura, sem a menor cerimônia, as canções “A vida é um carnaval” , celebrizada na voz da cantora cubana Célia Cruz, com arranjo que mistura samba com salsa e merengue (versão em português de Tais Nader, cantora e compositora, da obra original “La vida és un carnaval” de Victor Daniel), com “One Love”, da cantora e compositora caboverdiana/ portuguesa Sara Tavares, uma das mais novas revelações da música européia e “Tico tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, que traz a participação especial do músico Armandinho Macêdo na guitarra baiana! É uma sequência improvável, mas antes de protestar, ouça e depois, se quiser, se entregue.
Ao escolher as canções, Daniela elegeu outro sucesso internacional, “This life is beautiful”, que foi composta e gravada em parceria com o rapper norte-americano Wyclef Jean, que foi do trio de hip-hop The Fugees e gravou com a cantora Shakira. Esta parceria, vale dizer, deu início a uma amizade criativa. Foram três dias de trabalho intenso num estúdio em Nova York, nos Estados Unidos, e novas criações em conjunto devem acontecer no futuro. Wyclef encantou-se com o timbre e o talento da brasileira.
Com um repertório que combina músicas consagradas com canções inéditas, Daniela faz suas ousadias ao reunir em uma única e, supostamente, nova canção “Bênção do Samba”, os clássicos “Na Baixa dos sapateiros”, de Ary Barroso, “Samba da minha terra” (Dorival Caymmi) e Samba da bênção (Baden Powell / Vinícius de Moares), em arranjo que passa do samba bossa original para um samba de roda com batidas eletrônicas. Na sequência iniciada por “Oya por nós”, por exemplo, esses clássicos da música brasileira são sucedidos por duas novas canções de autoria da artista, “Castelo Imaginário” (Daniela Mercury / Gabriel Povoas / Tais Nader) e “Cinco Meninos” (Daniela Mercury).
Em “Cinco meninos”, Daniela faz a síntese definitiva neste disco com o verso “busquei vocês em tudo, até quando quis negar”. A canção é uma ode à família, ao núcleo, a gênese, a todos os filhos de Oxalá – orixá protetor da cantora e o Senhor da Criação na tradição ioruba. A música, doce, poética, encantadora, é cantada por vários personagens da família Mercuri (com i): os cinco filhos e vários netos de Liliana e Antoninho, pais da cantora. Até a bisneta do casal, Clarice, filha de Gabriel, primogênito de Daniela, é homenageada com um choro de bebê no final da faixa. Cinco filhos, cinco destinos, cinco histórias para contar. Assim como são cinco discos, cinco trilhas, cinco imagens de Daniela para dar conta de uma síntese da cantora que é conhecida como rainha, mas que no dia a dia, ao invés de reinar, prefere guerrear e inovar.

CONTRATE


contato@palcodeeventos.com.br
+ 55 (11) 4301-6232
F I T
BUSCA
PROCURE O MELHOR PARA O SEU EVENTO
NEWSLETTER
CADASTRE SEU E-MAIL PARA RECEBER NOSSAS NOTÍCIAS